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1.O que é uma sempre-viva?

São plantas que após coletadas e secas mantém um aspecto vivo, conservando as cores de suas flores, como se fossem intocadas pelo tempo, o que originou o nome popular "sempre-vivas". Pertencem, em sua maioria, às famílias botânicas Eriocaulaceae, Cyperaceae e Xyridaceae.
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Carolina Pinho
Eriocaulaceae
("eriocauláce", em botaniquês)
*Clique na imagem para ver os nomes botânicos dela!
A variedade de formas, sua delicadeza e sua durabilidade são uns dos motivos para serem usadas como enfeites. Podem ser vendidas na forma de buquês, ou outros artesanatos, em sua coloração original ou tingidas. É ainda comum serem colocadas em vasinhos de cactos, para imitar suas flores, com as quais são super parecidas.
Aí, coitadinhas das Sempre-Vivas, acabam achando que são cactos...(kkkk)!

Izabela Dias
2.Qual a carinha delas?
Nem todas as Sempre-Vivas são iguais, elas pertencem a diferentes grupos botânicos. São muitas formas, tamanhos e cores para encantar!
*Clique nas imagens para ver os nomes botânicos delas!

Maria Luiza Silveira de Carvalho
Eriocaulaceae
("eriocauláce", em botaniquês)
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Maria Luiza Silveira de Carvalho
Xyridaceae
("xiridáce", em botaniquês)
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Maria Luiza Silveira de Carvalho
Cyperaceae
("ciperáce", em botaniquês)
Seria mágica? Photoshop? Não! O segredo são as BRÁCTEAS!
Brácteas são folhas modificadas que envolvem o conjunto de flores (as inflorescências!). Nas sempre-vivas elas são secas, resistentes e bem vistosas! Quando as reais flores murcham, as brácteas permanecem na inflorescência, mantendo a mesma aparência, como se as plantas ainda estivessem com flor! Te enganaram de novo?
3.Como mantém a aparência impecável?
FLOR
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Raul Figueirêdo
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BRÁCTEA
Raul Figueirêdo
*Clique nas imagem para poder ver melhor!

4.Elas conquistaram o mundo!
Ao todo são 1210 espécies só de Eriocaulaceae distribuídas pelo mundo em regiões tropicais de elevada altitude, com solos arenosos e pedregosos!

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Aqui no Brasil, existem 640 espécies por todas as regiões do país. E 575 delas, são exclusivamente brasileirinhas!
A maior parte ocorre na Cadeia do Espinhaço (essa cadeia de montanhas entre BA e MG). Mas, de toda a Cadeia do Espinhaço, elas gostam mesmo é da Chapada Diamantina - BA (aliás, quem não gosta?), onde é o centro de sua diversidade!
5.O artesanato para além dos buquês: o capim-dourado.

Por todos os lugares, nossas musas inspiraram e instigaram a criatividade nas pessoas que conseguiram criar peças únicas de artesanato com as sempre-vivas. Uma das técnicas mais bonitas e conhecidas mundialmente é a confecção de bolsas, brincos, caixas, chapéus e outros inúmeros objetos com o CAPIM-DOURADO!
O capim-dourado é uma espécie de sempre-viva. que, em botaniquês se chama Syngonanthus nitens Ruhland. Seu uso no artesanato é típico do Jalapão (TO), uma região de extrema importância ecológica para o Cerrado, mas que sofre bastante com queimadas naturais e antrópicas. Para usar o capim-dourado na confecção de uma peça, os artesãos retiram a inflorescência e usam apenas o escapo (haste), que é dourado! Depois, amarram um escapo no outro utilizando uma fibra esbranquiçada extraída de palmeiras, também muito famosas nessa região, o buriti (Mauritia flexuosa L. F. em botaniquês).
Cadeia do
Espinhaço



Paula Figueiredo, 2006
Ariane Leite, 2011
6.Nossas musas inspiradoras pelo extrativismo

Ariane Leite, 2019
Os solos arenosos, pedregosos e com poucos nutrientes das altas atitudes onde ocorrem as espécies de sempre-vivas, é um solo inadequado para o desenvolvimento de agriculturas. Por esse motivo, aqui no Brasil, o garimpo foi a principal fonte de subsistência da população nessas localidades, por muito tempo. Porém, com o passar dos anos, o garimpo começou a ser cada vez mais restrito. Com isso, o extrativismo de bens primários, como madeira e flores, foi ganhando força, se estruturando e empregando cada vez mais pessoas.
Assim, vivendo em solos pobres para a agricultura da época, muitas pessoas encontraram nas sempre-vivas uma fonte de renda alternativa.
Mucugê - Chapada Diamantina, BA
Cidade baiana na Cadeia do Espinhaço
Em Diamantina (cidade mineira na Cadeia do Espinhaço), por exemplo, o comércio de sempre-vivas, coletadas através do extrativismo, é a segunda maior fonte de renda local!
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Bhumi Manjari, 2010

Diz a lenda...que tudo começou no começo do século XX, quando um homem, ao voltar de sua atividade de caça, levou para sua mulher um buquê de sempre-vivas, para decorar a casa! A partir daí outras pessoas começaram a encomendar buquês de sempre-vivas...virou moda!
Nascia, assim, o extrativismo das plantas que “vivem para sempre"!
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A prática se tornou uma forte tradição e uma importante fonte de renda para as comunidades locais, e ao longo do tempo, a extração e o comércio aumentaram tanto, que os produtos que eram vendidos para o Brasil... se espalharam pelo MUNDO!!
Nos anos 70, a exportação de sempre-vivas teve um grande crescimento: eram TONELADAS de plantas colhidas e revendidas! Os maiores importadores foram: E.U.A (1), Itália (2), Japão (3) e Alemanha (4).
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Buquê colorido de: Nadir Silveira Dias
Mapa de exportação das sempre-vivas na década de 1970.
Porém, a extração era excessiva e descuidada: as plantas eram apanhadas na fase de reprodução, antes das sementes se desenvolverem e se dispersarem na natureza! Com o aumento desenfreado da extração das sempre-vivas, as populações das nossas musas foram reduzidas bruscamente, colocando algumas espécies em perigo!
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Fotos de: Livia Echternacht (pelo Flora do Brasil, 2020).
7.Conservação!
Nossas musas realmente encantaram o Brasil e o mundo, mas protegidas e conservadas, nossas musas ficam ainda mais lindas e inspiradoras!💐 Nesse sentido, precisamos sempre nos lembrar de sua conservação na natureza para que elas não sejam extintas. O que será que tem sido feito para preservá-las?
Unidades de Conservação (UC’s), criadas pelo governo, são importantes primeiros passos para garantir a existência das populações das sempre-vivas. Em algumas UC’s as plantas permanecem intocadas. Em outras, o manejo e o turismo são controlados. Alguns exemplos são o Parque Nacional das Sempre-Vivas, o Projeto Sempre-Viva no Parque Municipal de Mucugê e o Parque Estadual do Jalapão.


Mas precisamos nos lembrar também das pessoas que frequentam e/ou dependem esses lugares! Nesse sentido, projetos sociais e de conscientização, como o Projeto Sempre-Viva Em Mucugê são bonitos exemplos na luta pela proteção da natureza e a sustentabilidade local!
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Visto que as sempre-vivas constituem uma importante fonte de renda para muitas pessoas, foram criados planos de manejo sustentável em alguns lugares. Dessa forma, as nossas musas não têm seu ciclo reprodutivo interrompido e podem se propagar naturalmente, dando continuidade a espécie com novos descendentes!

O respeito à natureza, no entanto, também se dá na hora de comprar os buquês e objetos feitos a partir das sempre-vivas. Estes são vendidos em todo lugar, inclusive pela internet; porém, nem todo artesanato tem origem sustentável.
Então, antes de comprar, confira a procedência do produto! Confira se a natureza e as pessoas que trabalham estão sendo respeitadas.

Dessa forma, reunindo a atuação do governo, a prática do manejo sustentável e o consumo consciente a preservação das nossas musas inspiradoras é possível, sim! ❤🌸
Para saber um pouquinho mais:
APARÊNCIA IMPECÁVEL
- Michele Marcelino Rosa, Vera Lucia Scatena, Floral Anatomy of Paepalanthoideae (Eriocaulaceae, Poales) and their Nectariferous Structures, Annals of Botany, Volume 99, Issue 1, 1 January 2007, Pages 131–139, https://doi.org/10.1093/aob/mcl231.
ONDE VIVEM?
- Eriocaulaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em <http://www.floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB110>. Acesso em: 12 mai. 2020
- Giulietti, A.M., Miranda, E.B. Five new taxa in Eriocaulaceae from the Chapada Diamantina of Bahia, Brazil. Kew Bull 64, 525 (2009). https://doi.org/10.1007/s12225-009-9111-9 .
Mapa
Stevens, P. F. (2001 onwards). Angiosperm Phylogeny Website. Version 14, July 2017 [and more or less continuously updated since]
ARTESANATO:
- GIULIETTI, A. M. et al. 1988. Estudos em Sempre-vivas: Importância econômica do extrativismo em Minas Gerias, Brasil. Acta Botânica Brasílica 1(2):179-193.
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- PACIFICO, M. et al. 2011. Metabolite fingerprint of “capim dourado” (Syngonanthus nitens), a basis of Brazilian handcrafts, Industrial Crops and Products 33(2): 488-496.
.
-PEREIRA, A. 2019. Sazonalidade das queimadas no Parque Estadual do Jalapão, TO, no bioma Cerrado. In: Anais XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Natal, Brasil, INPE, p. 2897-2903.
EXTRATIVISMO:
- LOPES, P. H. S. 2013. A zona de contato cultural em um povoado da região de Diamantina - MG: uma discussão dos aspectos de tradicionalidade e comunidade na coleta de sempre-vivas. Monografia. Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP. Ribeirão Preto, SP.
-GIULIETTI, N.; GIULIETTI, A. M.; PIRANI, J. R. et al. 1988. Estudos em Sempre-vivas: Importância econômica do extrativismo em Minas Gerias, Brasil. Acta Botânica Brasilica, 1(2):179-193.
- CNCFLORA. 2020. Lista vermelha. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br>. Acesso em: 8 Jun. 2020.
- ECHTERNACHT, L. et al. 2011. Areas of Endemism in the Espinhaço Range in Minas Gerais, Brazil. Flora - Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants, 206(9): 782-791
- FLORA DO BRASIL. 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB116361>. Acesso em: 08 jun. 2020
-GIULIETTI, N.; GIULIETTI, A. M.; PIRANI, J. R. 1988. Estudos em Sempre-vivas: Importância econômica do extrativismo em Minas Gerias, Brasil. Acta Botânica Brasílica, 1(2): 179-193.
CONSERVAÇÃO:
- OLIVEIRA, M. N. S. 2016. Sempre-vivas: recomendações para a sustentabilidade social e ambiental para a sedinha ou capim dourado em Minas Gerais. Diamantina: UFVJM. 20 p. Disponível em: http://acervo.ufvjm.edu.br/jspui/handle/1/1837. Acesso em: 25 de maio de 2020.
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Unidades de Conservação no Brasil - Disponível em: https://uc.socioambiental.org/. Acessado em 17 de junho de 2020.
